A MICROFISICA DO PODER PDF

O poder O poder deve ser analisado como algo que circula, que funciona em cadeia. Nunca est localizado aqui ou ali, nunca est nas mos de alguns, nunca apropriado como riqueza ou bem. O poder funciona e se exerce em rede. Os indivduos, em suas malhas, exercem o poder e sofrem sua ao. Cada um de ns , no fundo, titular de um certo poder e, por isso, veicula o poder.

Author:Zular Tazshura
Country:Belize
Language:English (Spanish)
Genre:Life
Published (Last):20 September 2006
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O poder poltico teria neste caso encontrado na economia sua razo de ser histrica. Uma primeira resposta que se encontra em vrias anlises atuais consiste em dizer: o poder essencialmente repressivo. O poder o que reprime a natureza, os indivduos, os instintos, uma classe. Uma segunda resposta: se o poder em si prprio ativao e desdobramento de uma relao de fora, em vez de analislo em termos de cesso, contrato, alienao, ou em termos funcionais de reproduo das relaes de produo, no deveramos analislo acima de tudo em termos de combate, de confronto e de guerra?

Teramos, portanto, frente primeira hiptese, que afirma que o mecanismo do poder fundamentalmente de tipo repressivo, uma segunda hiptese que afirma que o poder guerra, guerra prolongada por outros meios. Poder que corre o risco, quando se excede, quando rompe os termos do contrato, de se tornar opressivo.

Podercontrato, para o qual a opresso seria a ultrapassagem de um limite. O outro sistema, ao contrrio, tentaria analisar o poder poltico no mais segundo o esquema contratoopresso, mas segundo o esquema guerrarepresso; neste sentido, a represso no seria mais o que era a opresso com respeito ao contrato, isto , um abuso, mas, ao contrrio, o simples efeito e a simples continuao de uma relao de dominao. A represso seria a prtica, no interior desta pseudopaz, de uma relao perptua de fora.

O esquema contratoopresso, que o jurdico, e o esquema dominao-represso ou guerrarepresso, em que a oposio pertinente no entre legtimoilegtimo como no precedente, mas entre luta e submisso. So estas noes que analisarei nos prximos cursos. XII Soberania e disciplina O que tentei investigar, de at agora, grosso modo, foi o como do poder; tentei discernir os mecanismos existentes entre dois pontos de referncia, dois limites: por um lado, as regras do direito que delimitam formalmente o poder e, por outro, os efeitos de verdade que este poder produz, transmite e que por sua vez reproduzemno.

Um tringulo, portanto: poder, direito e verdade. Somos submetidos pelo poder produo da verdade e s podemos exerclo atravs da produo da verdade. Isto vale para qualquer sociedade, mas creio que na nossa as relaes entre poder, direito e verdade se organizam de uma maneira especial.

Portanto, no o rei em sua posio central, mas os sditos em suas relaes recprocas: no a soberania em seu edifcio nico, mas as mltiplas sujeies que existem e funcionam no interior do corpo social. O direito deve ser visto como um procedimento de sujeio, que ele desencadeia, e no como uma legitimidade a ser estabelecida.

Para mim, o problema evitar a questo central para o direito da soberania e da obedincia dos indivduos que lhe so submetidos e fazer aparecer em seu lugar o problema da dominao e da sujeio. Nunca est localizado aqui ou ali, nunca est nas mos de alguns, nunca apropriado 11 como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivduos no s circulam mas esto sempre em posio de exercer este poder e de sofrer sua ao; nunca so o alvo inerte ou consentido do poder, so sempre centros de transmisso.

Em outros termos, o poder no se aplica aos indivduos, passa por eles. No se trata de conceber o indivduo como uma espcie de ncleo elementar, tomo primitivo, matria mltipla e inerte que o poder golpearia e sobre o qual se aplicaria, submetendo os indivduos ou estraalhandoos. Efetivamente, aquilo que faz com que um corpo, gestos, discursos e desejos sejam identificados e constitudos enquanto indivduos um dos primeiros efeitos de poder.

Ou seja, o indivduo no o outro do poder: um de seus primeiros efeitos. O indivduo um efeito do poder e simultaneamente, ou pelo prprio fato de ser um efeito, seu centro de transmisso. O poder passa atravs do indivduo que ele constituiu. Estes limites so, porm, to heterogneos quanto irredutveis. Nas sociedades modernas, os poderes se exercem atravs e a partir do prprio jogo da heterogeneidade entre um direito pblico da soberania e o mecanismo polimorfo das disciplinas.

Que o poder, mesmo tendo uma multiplicidade de homens a gerir, seja to eficaz quanto se ele se exercesse sobre um s. No se pode entender o desenvolvimento das foras produtivas prprias ao capitalismo; nem imaginar seu desenvolvimento tecnolgico sem a existncia, ao mesmo tempo, dos aparelhos de poder.

Tratase ao contrrio de demarcar as posies e os modos de ao de cada um, as possibilidades de resistncia e de contraataque de uns e de outros. XV No ao sexo rei A confisso, o exame de conscincia, toda uma insistncia sobre os segredos e a importncia da carne no foram somente um meio de proibir o sexo ou de afastlo o mais possvel da conscincia; foi uma forma de colocar a sexualidade no centro da existncia e de ligar a salvao ao domnio de seus movimentos obscuros.

O sexo foi aquilo que, nas sociedades crists, era preciso examinar, vigiar, confessar, transformar em discurso. O primeiro foi muito utilizado e mostrou, acho eu, ser inadequado: sabemos que o direito no descreve o poder. XVI Sobre a histria da sexualidade Voltando um pouco no tempo, eu definiria pistm como o dispositivo estratgico que permite escolher, entre todos os enunciados possveis, aqueles que podero ser aceitveis no interior, no digo de uma teoria cientfica, mas de um campo de cientificidade, e a respeito de que se poder dizer: falso, verdadeiro.

E o dispositivo que permite separar no o verdadeiro do falso, mas o inqualificvel cientificamente do qualificvel. Tudo que em uma sociedade funciona como sistema de coero, sem ser um enunciado, ou seja, todo o social no discursivo a instituio. Quero dizer o seguinte: a ideia de que existe, em um determinado lugar, ou emanando de um determinado ponto, algo que um poder, me parece baseada em uma anlise enganosa e que, em todo caso, no d conta de um nmero considervel de fenmenos.

Na realidade, o poder um feixe de relaes mais ou menos organizado, mais ou menos piramidalizado, mais ou menos coordenado. Mas se o poder na realidade um feixe aberto, mais ou menos coordenado e sem dvida mal coordenado de relaes, ento o nico problema munirse de princpios de anlise que permitam uma analtica das relaes do poder.

Eu queria justamente responder questo que me foi colocada sobre o poder de cima para baixo, que seria "negativo". Todo o poder, seja ele de cima para baixo ou de baixo para cima, e qualquer que seja o nvel em que analisado, ele efetivamente representado, de maneira mais ou menos constante nas sociedades ocidentais, sob uma forma negativa, isto , sob uma forma jurdica.

E caracterstico de nossas sociedades ocidentais que a linguagem do poder seja o direito e no a magia ou a religio, etc. Era uma ideologia cientfica que podia ser encontrada em toda parte, em MoreI como em outros. E foi usada politicamente primeiro pelos socialistas, por pessoas de esquerda, antes de ser pelos de direita. XVII A Governamentalidade Atravs da anlise de alguns dispositivos de segurana, procurei ver como surgiu historicamente o problema especifico da populao, o que conduziu questo do governo: relao entre segurana, populao e governo.

Por outro lado, todos estes governos esto dentro do Estado ou da sociedade. Portanto, pluralidade de formas de governo e imanncia das prticas de governo com relao ao Estado; multiplicidade e imanncia que se opem radicalmente singularidade transcendente do prncipe de Maquiavel. E nos dois casos o elemento central desta continuidade o governo da famlia, que se chama de economia.

No se limitou somente aos tericos da poltica. Podese situar suas relaes com a realidade: em primeiro lugar, a teoria da arte de governar esteve ligada desde o sculo XVI ao desenvolvimento do aparelho administrativo da monarquia territorial: aparecimento dos aparelhos de governo; em segundo lugar, esteve ligada a um conjunto de anlises e de saberes que se desenvolveram a partir do final do sculo XVI e que adquiriram toda sua importncia no sculo XVII: essencialmente o conhecimento do Estado, em seus diversos elementos, dimenses e nos fatores de sua fora, aquilo que foi denominado de estatstica, isto , cincia do Estado; em terceiro lugar, esta arte de governar no pode deixar de ser relacionada com o mercantilismo e o cameralismo.

Diria mesmo o contrrio: nunca o problema da soberania foi colocado com tanta acuidade quanto neste momento, na medida em que se tratava precisamente no mais, como nos sculos XVI e XVII, de procurar deduzir uma arte de governo de uma teoria da soberania, mas de encontrar, a partir do momento em que existia uma arte de governo, que forma jurdica, que forma institucional, que fundamento de direito se poderia dar soberania que caracteriza um Estado.

So estes trs movimentos governo, populao, economia poltica que constituem, a partir do sculo XVIII, um conjunto que ainda no foi desmembrado. O que pretendo fazer nestes prximos anos uma histria da governamentalidade. E com esta palavra quero dizer trs coisas: [ Por verdade, Foucault entende Para Foucault a verdade est circularmente ligada a sistemas de poder, que a produzem e apoiam, e a efeito de poder que ela induz e que a reproduz. Na realidade o que Foucault que dizer que o poder pode ditar verdades e reproduzi-las.

Procuraremos verificar se, de fato, existe um parmetro seguro para o controle externo de legitimidade. O controle tem, em geral, trs elementos: o controlador, o controlado e o parmetro de controle.

O parmetro de controle deve ser previamente conhecido tanto por quem controla quanto por quem controlado. Quanto se trata de um controle de legalidade, o parmetro inicial a Lei. No controle de economicidade, o parmetro a relao custo-benefcio, do ponto de vista monetrio, da prtica do ano, tendo em vista as referncias de mercado.

Mas qual o parmetro para o controle de legitimidade? Aquilo que legtimo? Neste ponto nos interessa Foucault, uma vez que aquilo que legtimo em determinado momento tambm fruto da estrutura de poder. Assim, identificar o parmetro de legitimidade para o exerccio do controle externo, passar, tambm, pela necessidade de identificar a conformao de poder.

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Resenhas - Microfísica do Poder

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Microfísica do Poder – Michel Foucault

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